Hoje deixei uma pessoa na chuva, a pressa e as responsabilidades nao me permitiram parar e ajudá-la. Fui aquela pessoa que menosprezo, aquela que olha apenas para os prédios e esquece dos seres humanos, aquela que tem a arrogância nas palavras. Minha vontade é voltar e ver se aquele homem com um guarda-chuva preto pedindo dinheiro para voltar par casa ainda está lá, mas as mesmas pressa e responsabilidades nao me permitem. A cada dia essa cidade vai me deixando cada vez mais de ferro, já nao me reconheço mais.
Acho que me deixei na chuva.
É triste saber que não tenho mais alguém com quem eu possa desabafar e pedir conselhos. Meus “amigos” estão ocupados com suas próprias vidas e seus próprios problemas e já não reconhecem mais meu número de celular. Mas assim é a vida, apenas mensagens vazias de saudade e de motivação e nenhuma intenção verdadeira de conversar. É sempre um tal de “esta tudo muito corrido, quando acalmar a gente marca alguma coisa” no lugar de uma desculpa. E com isso passam dias, semanas, meses, anos e nada daquele encontro. As pessoas já não se importam mais, aquilo que era importante perde a relevância no cotidiano e cada um se afasta do outro. Sinto falta de um olho no olho, um abraço amigo e uma gargalhada de alguma história mirabolante. Mas a verdade é que nada disso vai voltar, porque todos mudaram e eu sou a única que ainda vive no passado.
Quando me falaram que havia alguém na porta, fui correndo para encontrar você. Mas aquele sorriso estampado no meu rosto logo desapareceu ao perceber que você não voltou atrás.
É como se o vento tivesse trazido aquele par de olhos verdes que com a mesma velocidade com que chegou, foi embora.
As palavras quase ditas não passaram do quase e a ação não passou de intenção.
Adimira-me a facilidade em escrever um texto em um computador ou celular e a monstruosa dificuldade em escrever em um papel. Talvez seja influência dessa efemeridade provocada pela abusiva quantidade de informação que faz com que um texto seja lido e logo esquecido.